Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo

                  

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Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo.

Um desabafo

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Essa frase é de uma música do Caetano Veloso e uma das minhas preferidas da vida. Só cada pessoa sabe exatamente como é a sua vida. Os pontos bons… E os nem tão bons assim.

Eu cresci com uma situação especial. Desde muito pequena tenho um irmão especial. É fato que o Mateus mudou a minha vida. Com certeza, é o traço mais marcante, que definiu muito da minha personalidade, do meu jeito de lidar com as pessoas e situações – e ainda mais importante que isso: definiu minha missão de vida. Lutar pelos direitos das pessoas com autismo no Brasil.

Muitas pessoas me dizem: “Que privilégio o teu! Desde nova já encontrou tua missão de vida!”. Realmente, agradeço a Deus diariamente por ter Ele ter me mostrado um propósito de vida e que tenho consciência disto desde a adolescência. Porém, nem tudo são flores e a luta é diária. Enquanto escrevo isto, Mateus está gritando no quarto. Desorganizado com o período de férias. É difícil.

Ok. Tenho uma missão. Mas e o preço que pago diariamente para tê-la? Só eu e os outros irmãos azuis sabemos as inconstâncias de se ter um irmão com autismo. Às vezes choro e me desespero. Canso. Canso de ver o Mateus sofrer. Canso de ver meus pais cansados. Canso de me ver cansada. Fragilizada, muitas vezes. O Autismo não afeta somente a pessoa que sofre, mas toda a família. Força para nós (porque o Mateus ainda não parou de gritar).

Tags: Eu e o Mateus, Irmãos Azuis