Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo

                  

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Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo.

Dia de festa, os 24 anos do Mateus!

Pensar no teu aniversário é sempre algo que me emociona. 24 anos. O tempo é relativo e percebo isso ainda mais quando estou contigo.

Em termos cronológicos és um jovem, alto, forte e saudável. Tem disposição, vigor, alto astral.

Em termos cognitivos, és uma criança pequena, com poucos anos de vida. Gostas de desenhos infantis, do teu amigão Mickey, se diverte com luzes e sons repetitivos. Para comprar presentes pra ti ainda vou na loja de brinquedos do shopping. Entro e digo: "é um presente pro meu irmão”, a vendedora responde: "Quantos anos?". Difícil explicar. Talvez esse texto diga um pouco do que não consigo falar nessas situações.

Em termos sociais, muitos dirão que a vida está recém começando, que ainda tens tudo pela frente. Mas só nós sabemos o quanto lutamos para chegar até aqui. 24 anos pode ser pouco tempo para uns, mas para nós é uma vida. A tua vida, nossa luta. A tua existência, nossa missão.

Impossível falar de ti e não me emocionar, meu professor da vida. Que me ensinou tudo que sei sobre o amor, sobre empatia, sobre altruísmo, sem nunca ter dito nenhuma palavra, além dos teus balbucios de bebê.

Xuxu, neno, xubis… Bebê gigante é como a nossa mãe te chama e como eu explico para os que não te conhecem como és. Não é pejorativo, de forma nenhuma. É o nosso jeito de dizer que és alguém que precisa de cuidados, mas que, principalmente, tem a inocência e a pureza que nós (ditos "normais") esquecemos já em nossos primeiros anos. Mas tu não. Entra ano e sai ano... 24 anos de pureza e inocência.

Sou grata a Deus pela tua vida.

Feliz aniversário, meu irmão! Que tu sejas sempre muito feliz!

Te amo, meu Mateus.

Da tua mana,

Fernanda.