Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo

                  

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Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo.

Brilhante e o senso de comunidade em Autismo

Terminei de ler Brilhante recentemente. É um livro fácil de ler, tanto pelo conteúdo, como pela forma que a autora escreve. A história é contada por Kristine Barnett sobre o filho Jake, gênio e autista, que desde bebê já demonstrava interesse e habilidades surpreendentes nas ciências exatas, principalmente em matemática e astronomia.

Ok. É uma história meio clichê do menino-autista-gênio, pois sabemos que a maioria dos nossos autistas não é assim. Porém, a graça do livro não está na genialidade do meninos, mas na força da família, além da importância da comunidade e da ajuda ao próximo. Kristine e Michael são uma potência em termos de doação e resiliência, não só em relação ao filho autista, mas com os outros filhos e com muitas crianças, autistas ou não. Por causa do filho, eles começam a fazer oficinas na própria casa para crianças autistas, preparando-as para a fase escolar. Depois, começam um projeto de esportes em um salão alugado de uma igreja, o que, enfim, torna-se um Centros de Esportes para crianças autistas. Tudo por iniciativa própria, do próprio bolso e com a ajuda de pessoas comuns que se interessaram pela causa.

História linda que beneficia muitas crianças e jovens com autismo em Indiana, nos Estados Unidos. Porém, o que me fascina no caso específico de Jake é que ele, por ser um prodígio desde muito novo, precisou do apoio e da confiança de muitas pessoas, além dos pais e amigos próximos. Jake começou a fazer cursos avançados nas áreas de matemática, astronomia e física  na universidade aos oito anos e com nove foi aceito na mesma instituição para ser, de fato, aluno de graduação. Mas como um menino de oito anos consegue entrar na universidade? Com certeza, porque os professores e a diretoria permitiram. Isso me leva a refletir se tal situação seria possível aqui no Brasil, onde a burocracia impera, muitas vezes, mais do que o bom senso. Outro ponto que me faz refletir na história deles é que eles venderam o próprio carro para comprar o lugar onde fariam o Centro de Esportes e receberam diversas doações para que o mesmo se mantivesse. Quantas pessoas, em nossa realidade, estão dispostas a fazer isso? Quantas portas fechadas recebemos até que alguém se compadeça da nossa causa? Acho estranho admirarmos o senso de comunidade de outras culturas, mas não conseguirmos fazer isso na nossa própria.

A causa do Autismo precisa de doação, de comprometimento, de confiança. Sim, são muitos os oportunistas que estão por aí, mas também tem muita gente boa querendo dar o seu melhor em prol de muitos. Precisamos nos fortalecer, afinal, é o que sempre falo por aqui, se não lutarmos por nós, quem o fará? Quem conhece a nossa luta melhor do que nós mesmos?

Minha dica é cuide do seu (coração, filho/a autista e da sua família), mas não perca de vista todos os outros que precisam de ajuda também. Juntos somos melhores e vamos mais longe! Seguimos na luta!

 

 

 

    

Tags: Movimento Autista no Brasil, Dicas de filmes, séries e livros