Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo

                  

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Um pouco do cotidiano de uma irmã de um jovem com autismo.

Dia das Mães: conversa com a minha mãe, Josie Ferreira!

Nos ditos populares, diz-se que "a fruta não cai longe do pé”. Vocês têm acompanhado a mim e o Mateus há quase dois anos e têm gostado do que a gente compartilha por aqui. Agora,  multipliquem esse amor pelo Mateus, pelos autistas e pela causa do autismo por mil e vocês terão uma pequena imagem da minha mãe! Forte, guerreira, determinada. Organizada, sabe se impor e dar limites. Carinhosa, amável, afetuosa. Amor incondicional.

Neste dia das mães, homenageio a todas às mães trazendo um bate papo que tive com meu maior exemplo de maternidade, minha mãe Josie Ferreira! Já esclareço que as respostas vieram carregadas de emoção e que vai ser muito difícil traduzir em palavras tanto amor!

Minha mãe é daquele tipo mãezona, que faz de tudo por um filho. Para ela, a maternidade  foi a coisa mais maravilhosa que já aconteceu na vida dela! É um marco na vida de qualquer mulher, pois quando nos tornamos responsáveis pela vida de outra pessoa (que é totalmente dependente!), queremos ser melhores, mais fortes. Doação, entrega e amor incondicional são os sinônimos de maternidade para minha mãe.

Limites, organização, modos, respeito ao próximo sempre foram coisas que a minha mãe nos ensinou lá em casa. Isso ajudou a formar o meu caráter e a moldar os comportamentos do Mateus. Minha mãe insiste na questão dos limites, pois é fundamental para todas as crianças. Claro que a forma de impor estes varia de acordo com o grau de entendimento do filho. Segundo a minha mãe, enquanto para mim ela precisava falar “Não" poucas vezes, para o Mateus tinha que falar muitas, reforçando a instrução até que ele a entendesse com clareza. Educação, limite e amor é o essencial para a criação de qualquer filho.

Muito se fala sobre a culpa que as mães com filhos autistas sentem em relação aos filhos neurotípicos, devido ao desgaste emocional que tem com os primeiros e a falta de atenção destinada aos últimos.  Sobre isso, minha mãe traz uma dica essencial: separe um tempo de qualidade para cada um dos filhos, mas principalmente para o filho neurotípico. Um tempo a sós, só você e ele/ela. Assim, a criança se sentirá valorizada e amada, sabendo que por mais que mãe tenha que despender mais tempo para o irmão/irmã autista, ela saberá que tem um lugar especial (e que é só dela) na família. Em relação ao filho autista, é importante estimulá-lo a sair, socializar, ensinar as regras sociais. Como fazer? Faça isso em doses pequenas, saia um pouco e volte. Aos poucos, ele vai entendendo a dinâmica das saídas.

A última dica é a importante lembrança de que a mulher, antes de ser mãe, é uma pessoa única, que também merece cuidados e atenção. Muitas vezes, vemos mães especiais extremamente desgastadas emocionalmente, que se sentem sozinhas e abandonadas, sem amigos ou família. Isso não pode acontecer. Minha mãe insiste: Para cuidar bem, é preciso antes, ser bem cuidada. Tire um tempo só para você, faça algo que te faz bem, nem que seja ouvir uma música bonita ou assistir algo interessante! Seja você, mulher, forte, independente, cheia de valor e virtudes! Tudo isso se reflete nos filhos e na vida à nossa volta. Seja luz!

Feliz dia das mães para todas vocês que iluminam as nossas vidas! 

Tags: Autismo